Vais, mas voltas. Sempre voltas!
Apressas o passo e levas contigo a fúria de mil tempestades. Rasgas o verbo com a força da tua raiva, que te domina fazendo perder o discernimento. Eras capazes de matar nesse exacto momento. Bastava a cegueira te tomar de assalto e toda tua vida se via perdida num gesto insano.
Gritas bem alto que não mais me queres ver, que me queres esquecer preferindo a morte a voltar para os meus braços. Abres caminho como um rio desenfreado, que acordou mal-humorado e na ânsia de se impor transborda exibindo a sua dor
Tu vais, mas voltas. Sempre voltas...
Deixas o tempo passar, finges de mim não lembrar e procuras o brilho de outros olhos.
Apressas o tempo em correria a cada dia preenchendo o vazio que teimas em não querer sentir. Sorris numa felicidade fingida, afogada à noite na bebida num trago amargo e forte.
Esqueces a raiva, sentes o abandono do teu corpo maltratado pela saudade. Relembras cada vez que te perdeste nos recantos do meu corpo. A cada toque a descoberta de um novo prazer, um sabor mais doce, mais quente, mais intenso…
Mas a mágoa grita em teu ouvido atirando-te para o inferno. O teu peito arde de ira, os teus olhos choram de dor… é o preço do amor.
Entre o amor e a razão, do orgulho não abres mão e escolheste o teu caminho… agora com a vida em desalinho pontapeias os dias, acreditando me esquecer.
Tu foste e não voltaste..., ainda.
Mas um dia vais voltar, disso tenho certeza.Não há sentimento de maior nobreza que aquele que sentimos.
Volta- mo- nos, fingimos, mas sabemos... que um dia tu voltas.
Giullia
Abril/2018
Ontem é História, O amanhã é Mistério e hoje é uma dádiva por isso de chama de Presente.
sábado, abril 20, 2019
sábado, abril 13, 2019
Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abraços... Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca, Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca... Quando os olhos se me cerram de desejo... E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca
segunda-feira, outubro 15, 2012
MAR E LUA
Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das nocturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar
E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pró rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pró mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
e à beira mar.
Chico Buarque de Holanda
sexta-feira, setembro 28, 2012
DEUS SABE QUE NINGUÉM TEM...
Deus sabe que ninguém tem
instrumento igual ao meu:
venham medi-lo e hão-de ver
o tesouro que EI’ me deu.
instrumento igual ao meu:
venham medi-lo e hão-de ver
o tesouro que EI’ me deu.
Tomai-o – isso! – na mão:
é meu timbre de valor.
é meu timbre de valor.
Quem o gosto lhe descobre
sucumbe de terno ardor.
sucumbe de terno ardor.
Tão alto como um pilar
(como um pilar não encolhe)
visto ao longe na distância
de qualquer lado que se olhe.
(como um pilar não encolhe)
visto ao longe na distância
de qualquer lado que se olhe.
Venham pegar, e apertá-lo
com força na vossa mão.
E levai-o à vossa tenda,
entre onde os montes estão.
com força na vossa mão.
E levai-o à vossa tenda,
entre onde os montes estão.
Sê-de vós a lá guardá-lo
com vossa mão cuidadosa.
Vê de quanto ergue a cabeça
como bandeira orgulhosa!
com vossa mão cuidadosa.
Vê de quanto ergue a cabeça
como bandeira orgulhosa!
Nem dareis por sua entrada,
tão corajoso ele avança!
tão corajoso ele avança!
Jamais pende como a vela
quando o vento se descansa.
quando o vento se descansa.
Que el’ seja asa da panela
entre as pernas escondida,
tão vazia desde o fundo
até à borda cingida.
entre as pernas escondida,
tão vazia desde o fundo
até à borda cingida.
Venham ver a maravilha
que logo se ergue tão pronta!
Tão rara e tão portentosa,
tão rica de bens sem conta!
que logo se ergue tão pronta!
Tão rara e tão portentosa,
tão rica de bens sem conta!
E vejam como endurece
tão forte e tão magistral:
É coluna dura e longa
de uma força sem igual.
tão forte e tão magistral:
É coluna dura e longa
de uma força sem igual.
Se quereis pega segura,
ou colher que bem remexa,
outra melhor não tereis
para panelas sem queixa.
Pegai nesta – que ela esteja
na vossa panela ardente,
lá onde só um instrumento
haverá que vos contente!
ou colher que bem remexa,
outra melhor não tereis
para panelas sem queixa.
Pegai nesta – que ela esteja
na vossa panela ardente,
lá onde só um instrumento
haverá que vos contente!
Nem sonhais – amores – o gosto
que vos dará tal espada,
mesmo em panela de cobre
ou de prata chapeada.
que vos dará tal espada,
mesmo em panela de cobre
ou de prata chapeada.
ABU NOVAS
terça-feira, setembro 25, 2012
Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
Olavo Bilac
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
Olavo Bilac
segunda-feira, setembro 10, 2012
MOMENTOS
Não me apetece dizer o que penso,
o que sinto, o que sou.
Não me apetece dizer-te
para onde vou, onde estou
o que senti.
Não me apetece manifestar meus afectos,
meus carinhos, pedir um beijo,
roçar teu corpo em mil desejos ...
Não me apetece dizer
quantos orgasmos tive,
quando me possuías loucamente.
Não me apetece dizer o que sinto
quando o frenesim da tua boca
roça as minhas coxas
e me deixas louca de tesão.
Não me apetece!
E apetece-me tudo ...
Otília Martel
segunda-feira, setembro 03, 2012
UMA MENINA
água, tua música de pele
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs
terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz
ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente
fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração
Afonso Henriques Neto
sábado, agosto 04, 2012
Poema
Amo-te por sobrancelha, por cabelo, debato-te em
corredores branquíssimos onde se jogam
as fontes de luz,
discuto-te a cada nome, arranco-te com
delicadeza de cicatriz.
Vou-te pondo no cabelo
cinzas de relâmpago
e fitas que dormiam à chuva.
Não quero que tenhas uma forma, que sejas
precisamente o que vem atrás da tua mão.
porque a água, considera a água e os leões
quando se dissolvem no açúcar da fábula,
e os gestos, essa arquitectura do nada.
acendendo as lâmpadas a meio do
encontro.
Todas as manhãs és a ardósia em que te invento
te desenho.
Pronto a apagar-te, assim não és, nem tão pouco com
esse cabelo liso, esse sorriso.
Busco a tua soma, a beira da taça onde o
vinho é também a lua e o espelho,
Busco essa linha que faz tremer um homem
numa galeria de museu.
Além disso amo-te, e faz tempo e frio.
Julio Cortázar
sexta-feira, julho 27, 2012
Teu mistério
Teu pensamento canta
Teu corpo dança
Teu olhar fala
Mas o teu coração cala.
teu olhar mexe
teu toque marca
teu silêncio fere
Mas o teu brilho cicatriza.
Tua nudez veste
Tua fantasia cobre
Teu orgasmo brilha
Mas o teu prazer ninguem possui.
Teu sorriso atenta
Tua sensatez, não sei
Tua estupidez, talvez
Pois todo o teu prazer... é mistério.
Gelly Fritta
sexta-feira, julho 20, 2012
Invento-me...
Invento-me neste desejo de te abraçar...
Invento-me hera, planta trepadeira,
agarro minhas gavinhas,
minhas expansões, com força,
em tuas estacas, para me poder à terra fixar...
Invento-me abelha, insecto,
Apenas para invadir a tua flor,
Que nasceu de meu desejo,
Para em teu mel, esse néctar,
a minha sede eu poder saciar ....
Invento-me leoa perdida de seu cio,
À procura de um trilho, um sinal, rasto teu,
Para que na floresta da vida,
Eu te possa encontrar...
Invento-me vento, Nortada, brisa, aragem,
Para de forma empolgada,
Agitar teu rio, ondular teu mar...
Invento-me, nestas todas metamorfoses
de ser eu própria, que trago silenciadas no meu espírito,
E ensaio-me assim, neste ser,
Nestas mil formas adoptadas,
Só porque te encontro ao inventar-me,
Mas porque te invento somente a ti!
Beatriz Barroso
sexta-feira, julho 13, 2012
Quando o teu andar…
Quando o teu ser me enlevava em comoções
E eu em ti me extasiava no infinito,
Não viveu esse dia tanto ser aflito,
E os oprimidos, num inferno de milhões?
Quando o teu andar me punha em febril estado,
Outros trabalhavam; na terra eram ruídos.
E havia o vazio, Homens sem Deus, despidos,
Nascia e morria tanto ser desgraçado.
Quando, prenhe de ti, me evolava em essência,
Havia tantos outros arfando em pedreiras,
Minguando à secretária, suando em caldeiras.
Vós, que arquejais em ruas e nos rios da vida,
Se há equilíbrio no mundo e na existência,
Como irá esta minha culpa ser remida?
Franz Werfel
1913
(tradução de João Barrento)
sexta-feira, julho 06, 2012
O sexo é sagrado
O sexo é sagrado,
como salgadas são as gotas de suor
que brotam dos meus poros
e encharcam nossas peles.
A noite é meu templo
onde me torno uma deusa enlouquecida
sentindo teus pelos sobre a minha pele.
Neste instante já não sou nada,
somente corpo,
boca,
pele,
pêlos,
línguas,
bocas.
E a vida brota da semente,
dos poucos segundos de êxtase.
Tuas mãos como um brinquedo
passeiam pelo meu corpo.
Não revelam segredos
desvendam apenas o pudor do mundo,
descobrem a febre dos animais.
Então nos tornamos um
ao mesmo tempo em que
a escuridão explode em festa.
A noite amanhece sem versos,
com a música do seu hálito ofegante.
O sol brota de dentro de mim.
Breves segundos.
Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.
Eu fui feliz.
Claudia Marczak
como salgadas são as gotas de suor
que brotam dos meus poros
e encharcam nossas peles.
A noite é meu templo
onde me torno uma deusa enlouquecida
sentindo teus pelos sobre a minha pele.
Neste instante já não sou nada,
somente corpo,
boca,
pele,
pêlos,
línguas,
bocas.
E a vida brota da semente,
dos poucos segundos de êxtase.
Tuas mãos como um brinquedo
passeiam pelo meu corpo.
Não revelam segredos
desvendam apenas o pudor do mundo,
descobrem a febre dos animais.
Então nos tornamos um
ao mesmo tempo em que
a escuridão explode em festa.
A noite amanhece sem versos,
com a música do seu hálito ofegante.
O sol brota de dentro de mim.
Breves segundos.
Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.
Eu fui feliz.
Claudia Marczak
segunda-feira, julho 02, 2012
Discreta Súplica
Do poderoso amor
dói-me fogo consumido.
Podes ser na chaga bálsamo,
formosa breve tulipa.
Teu lindo brilho dos olhos,
fogo vivo da aurora;
de teus lábios o orvalho
mil cuidados me devora.
Dá em tua voz de anjo
o que teu amante roga:
com mil beijos de ambrosia
te pagarei a resposta.
Csokonai Vitéz Mihály
(tradução de Ernesto Rodrigues)
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Que musica escutas tão atentamente
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
Eugénio de Andrade
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
Eugénio de Andrade
sexta-feira, outubro 17, 2008
Vaso Chinês
Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas.
Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada do rio até casa, enquanto o rachado chegava meio vazio.
Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água.
Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.
Depois de dois anos, reflectindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho: 'Tenhovergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até a sua casa...'
A velhinha sorriu:
Reparaste que lindas flores há somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dia, enquanto a gente voltava, tu regava-las.
Durante dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa.
Cada um de nós tem o seu próprio defeito. Mas é o defeito que cada um de nós tem, que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.
É preciso aceitar cada um pelo que é... E descobrir o que há de bom nele.'
Portanto, meu 'defeituoso' amigo/a, tenha um bom dia e lembre-se deregar as flores do seu lado do caminho...
Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada do rio até casa, enquanto o rachado chegava meio vazio.
Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água.
Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.
Depois de dois anos, reflectindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho: 'Tenhovergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até a sua casa...'
A velhinha sorriu:
Reparaste que lindas flores há somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dia, enquanto a gente voltava, tu regava-las.
Durante dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa.
Cada um de nós tem o seu próprio defeito. Mas é o defeito que cada um de nós tem, que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.
É preciso aceitar cada um pelo que é... E descobrir o que há de bom nele.'
Portanto, meu 'defeituoso' amigo/a, tenha um bom dia e lembre-se deregar as flores do seu lado do caminho...
terça-feira, junho 17, 2008
It wakes me in the dawn
It wakes me in the dawn
With this voice of wish
Wake me, leave me excited.
I want your kisses.
Come, touch.
With these hands from velvet.
Come with his body, suffocate me.
What you want does everything.
Leave me with sleep during the day
Leave me drunk with your smile.
Invade me with your soft hands
Take me to the paradise.
Come mistreat me with such pleasure
Leave me soft in a spread out bed.
Come, with this his way of being...
I am dominated, I am won.
The love defeats me
When I am to your side.
The day dawns
My body is marked.
Marked with loud kisses
It wakes me in the dawn
With this voice of wish
Wake me, leave me excited.
I want your kisses.
Come, touch.
With these hands from velvet.
Come with his body, suffocate me.
What you want does everything.
Leave me with sleep during the day
Leave me drunk with your smile.
Invade me with your soft hands
Take me to the paradise.
Come mistreat me with such pleasure
Leave me soft in a spread out bed.
Come, with this his way of being...
I am dominated, I am won.
The love defeats me
When I am to your side.
The day dawns
My body is marked.
Marked with loud kisses
Done in this dawn
Desconheço o autor mas é.....
"Para ti Tigresa ;) "
With this voice of wish
Wake me, leave me excited.
I want your kisses.
Come, touch.
With these hands from velvet.
Come with his body, suffocate me.
What you want does everything.
Leave me with sleep during the day
Leave me drunk with your smile.
Invade me with your soft hands
Take me to the paradise.
Come mistreat me with such pleasure
Leave me soft in a spread out bed.
Come, with this his way of being...
I am dominated, I am won.
The love defeats me
When I am to your side.
The day dawns
My body is marked.
Marked with loud kisses
It wakes me in the dawn
With this voice of wish
Wake me, leave me excited.
I want your kisses.
Come, touch.
With these hands from velvet.
Come with his body, suffocate me.
What you want does everything.
Leave me with sleep during the day
Leave me drunk with your smile.
Invade me with your soft hands
Take me to the paradise.
Come mistreat me with such pleasure
Leave me soft in a spread out bed.
Come, with this his way of being...
I am dominated, I am won.
The love defeats me
When I am to your side.
The day dawns
My body is marked.
Marked with loud kisses
Done in this dawn
Desconheço o autor mas é.....
"Para ti Tigresa ;) "
segunda-feira, outubro 08, 2007
Canção do Amor Sereno
Vem sem receio: eu te recebo
como um dom dos deuses do deserto
que decretaram minha trégua
e permitiram
que o mel de teus olhos me invadisse.
Quero que o meu amor te faça livre,
que meus dedos não te prendam
mas contornem teu raro perfil
como lábios tocam um anel sagrado.
Quero que o meu amor te seja enfeite
e conforto, ponto de partida para a fundação do teu reino,
em que a sombra seja abrigo e ilha.
Quero que o meu amor te seja leve
como se dançasse
numa praia uma menina.
Lya Luft
como um dom dos deuses do deserto
que decretaram minha trégua
e permitiram
que o mel de teus olhos me invadisse.
Quero que o meu amor te faça livre,
que meus dedos não te prendam
mas contornem teu raro perfil
como lábios tocam um anel sagrado.
Quero que o meu amor te seja enfeite
e conforto, ponto de partida para a fundação do teu reino,
em que a sombra seja abrigo e ilha.
Quero que o meu amor te seja leve
como se dançasse
numa praia uma menina.
Lya Luft
sexta-feira, setembro 28, 2007
Casa da Paixão
A sarça incendeia-se
dois corpos
moldam a areia
Sonho-te numa praça deserta
como desertos são
os momentos que me cercam
sonho-te suspensa nas nuvens
como suspenso estou no movimento
que me envolve
sonho-te ainda ancorada
num cais de pedras cinzentas
e macias
como os presságios
que pressagio
sonho-te e no sonho
me revejo para depois acordar
e partir sem remorsos
nem rodeios
imagino-te
inquieta
a fuga sempre pronta
a voz denuncia
a gargalhada branca
Sei-te submersa
árvore única
escondida
no meu jardim
de papel
Vejo-te hoje deitada
o sol delirante
entorna maresia
a teus pés flores outonais
ornam o momento
que agora germinou
no meu errante
pensamento
És assim adormecida
entre nevoeiros
aquário transparente invisível
onde navego
e não sei ver
mergulho-te os olhos selvagens
que não podem ler
vem
são horas de correr viagem
antes de te mentir verdades
que a estrada conduz à miragem
é lá que devemos morrer
De pé ou sentada
o rosto envolto pelas mãos
o gesto o sinal o sentido
revejo-te
ainda agora
a acordar
Encontro
enlaço
abraço
sabemos ambos
a face ocultada lua
Se te escrevesse uma carta
não a lerias
as minhas cartas nada dizem
ninguém as leu
se te cantar um poema
não o entenderás
também ninguém os entendeu
se te disser palavras
palavras escorregadias
não acreditarás
jamais alguém acreditou
mas se te pegar na cabeça e a morder
se te abraçar com os olhos
se te apertar numa vertigem
aqui começará a alquimia
daremos à luz
um amor novo
que se não sabia
Hoje é o dia
de eu te descer pelos dedos
de entrar na tua mão
agora é hora
de eu te beber as palavras de te segurar os gestos
já é o momento
de te abraçar os pensamentos
e da tua alma desvendar
os destinos inconcretos
Descalça caminhaste
sobre a ria
mãos abertas
navegando
águas de prata
tu e a ria
à procura do mar
A manhã acordara
já não era cedo
fomos ao lago
atravessamo-lo na primeira
maré
havia uma ilha
onde o silêncio crescia
alimento das águas
que corriam
em rodapé
mudos no movimento
adivinhando o futuro
morámos o momentos
aboreando sem remorsos
aquele envelhecer prematuro
amanhã seria longe
agora era a certeza
preferimos brincar
com a amargura
confundi-la
entre a toalha e a mesa
caminhámos coisas
que não conhecíamos
líquidos passos errando
nessa manhã podre e fria
o teu olhar como sol poente
no meu
encontrando o fim do dia
Prendo-te o olhar
caminho-te os lábios
num sorriso virgem
dobro-te o queixo
navego-te os cabelos
desaguo na tua garganta
fico-me perdido
salgada a melodia
que me encanta
O rio corre
eu caminho numa margem
tu caminhas na outra
olho para o rio
e para a margem
vejo o teu reflexo
na água turva
a tua sombra
na rocha recortada
às vezes não vejo nada
no entanto caminho
e sei que também tu
vais
entregue à caminhada
Sou-te
eterna desconhecida
uma flor ensanguentada
uma fagulha húmida
cicatrizante
sei-te
procurando onde
não sabes
ave única
no céu desenhada
sopro-te
rara palavra
que não conheces
brandida ácea lâmina
afiada
adormeço-te
no doce gume
de uma espada
Árvore marítima
do líquido sopro
desabrochada
vertical sobre a onda
flutuando nas águas
alheia ao mudar
dos ventos
Entrego-te ao vento
guardador de rebanhos tresmalhados
entrego-te à trovoada
senhora dos céus encrespados
entrego-te ao sol e à lua
domésticos deuses
entrego-te às palavras que não dissemos
(só essas são verdadeiras)
e a todas que não diremos
entrego-te porque
a ninguém pertences
entrego-te porque nem
tu podes agarrar-te
entrego-te porque
a máscara te confunde
e antes que a solidão te inunde
entrego-te para não ter
que te matar
Somos
dois barcos
sem horizonte
Luís Tobias in "As Quatro Casas"
dois corpos
moldam a areia
Sonho-te numa praça deserta
como desertos são
os momentos que me cercam
sonho-te suspensa nas nuvens
como suspenso estou no movimento
que me envolve
sonho-te ainda ancorada
num cais de pedras cinzentas
e macias
como os presságios
que pressagio
sonho-te e no sonho
me revejo para depois acordar
e partir sem remorsos
nem rodeios
imagino-te
inquieta
a fuga sempre pronta
a voz denuncia
a gargalhada branca
Sei-te submersa
árvore única
escondida
no meu jardim
de papel
Vejo-te hoje deitada
o sol delirante
entorna maresia
a teus pés flores outonais
ornam o momento
que agora germinou
no meu errante
pensamento
És assim adormecida
entre nevoeiros
aquário transparente invisível
onde navego
e não sei ver
mergulho-te os olhos selvagens
que não podem ler
vem
são horas de correr viagem
antes de te mentir verdades
que a estrada conduz à miragem
é lá que devemos morrer
De pé ou sentada
o rosto envolto pelas mãos
o gesto o sinal o sentido
revejo-te
ainda agora
a acordar
Encontro
enlaço
abraço
sabemos ambos
a face ocultada lua
Se te escrevesse uma carta
não a lerias
as minhas cartas nada dizem
ninguém as leu
se te cantar um poema
não o entenderás
também ninguém os entendeu
se te disser palavras
palavras escorregadias
não acreditarás
jamais alguém acreditou
mas se te pegar na cabeça e a morder
se te abraçar com os olhos
se te apertar numa vertigem
aqui começará a alquimia
daremos à luz
um amor novo
que se não sabia
Hoje é o dia
de eu te descer pelos dedos
de entrar na tua mão
agora é hora
de eu te beber as palavras de te segurar os gestos
já é o momento
de te abraçar os pensamentos
e da tua alma desvendar
os destinos inconcretos
Descalça caminhaste
sobre a ria
mãos abertas
navegando
águas de prata
tu e a ria
à procura do mar
A manhã acordara
já não era cedo
fomos ao lago
atravessamo-lo na primeira
maré
havia uma ilha
onde o silêncio crescia
alimento das águas
que corriam
em rodapé
mudos no movimento
adivinhando o futuro
morámos o momentos
aboreando sem remorsos
aquele envelhecer prematuro
amanhã seria longe
agora era a certeza
preferimos brincar
com a amargura
confundi-la
entre a toalha e a mesa
caminhámos coisas
que não conhecíamos
líquidos passos errando
nessa manhã podre e fria
o teu olhar como sol poente
no meu
encontrando o fim do dia
Prendo-te o olhar
caminho-te os lábios
num sorriso virgem
dobro-te o queixo
navego-te os cabelos
desaguo na tua garganta
fico-me perdido
salgada a melodia
que me encanta
O rio corre
eu caminho numa margem
tu caminhas na outra
olho para o rio
e para a margem
vejo o teu reflexo
na água turva
a tua sombra
na rocha recortada
às vezes não vejo nada
no entanto caminho
e sei que também tu
vais
entregue à caminhada
Sou-te
eterna desconhecida
uma flor ensanguentada
uma fagulha húmida
cicatrizante
sei-te
procurando onde
não sabes
ave única
no céu desenhada
sopro-te
rara palavra
que não conheces
brandida ácea lâmina
afiada
adormeço-te
no doce gume
de uma espada
Árvore marítima
do líquido sopro
desabrochada
vertical sobre a onda
flutuando nas águas
alheia ao mudar
dos ventos
Entrego-te ao vento
guardador de rebanhos tresmalhados
entrego-te à trovoada
senhora dos céus encrespados
entrego-te ao sol e à lua
domésticos deuses
entrego-te às palavras que não dissemos
(só essas são verdadeiras)
e a todas que não diremos
entrego-te porque
a ninguém pertences
entrego-te porque nem
tu podes agarrar-te
entrego-te porque
a máscara te confunde
e antes que a solidão te inunde
entrego-te para não ter
que te matar
Somos
dois barcos
sem horizonte
Luís Tobias in "As Quatro Casas"
quarta-feira, agosto 08, 2007
Às escuras o Amor
Às escuras o amor é inventar de novo
as iluminações de vogar à deriva
É sequestrar o dia É caminhar de noite
numa rua de Roma a comer melancia
É fazer explodir um palácio barroco
É durante a explosão cair numa armadilha
David Mourão Ferreira
as iluminações de vogar à deriva
É sequestrar o dia É caminhar de noite
numa rua de Roma a comer melancia
É fazer explodir um palácio barroco
É durante a explosão cair numa armadilha
David Mourão Ferreira
quarta-feira, julho 18, 2007
Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais
Vinicius de Moraes
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais
Vinicius de Moraes
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